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domingo, 5 de junho de 2016

Arara Azul

Arara Azul

quarta-feira, 4 de julho de 2012

A lenda do negro d`água


O negro d´água faz parte da vida de todos os pescadores do Centro Oeste.Crendo ou não,todos eles já experimentaram um sustozinho,.certa vez que um boto apareceu com a cabeça de porco a soprar bem pertinho de onde estava a sua vara de anzol.Em certa pescaria no curso baixo do rio vermelho,uma vez,acompanhou-nos um `chauffer´chamado joão,de sobressalência,para ajudar-nos a remendar câmara de ar no caminho,ou consertar as avarias dos pontilhões.Sempre ia por conta de serviços prováveis,sem pagar a contribuição para a cobertura das despesas.Era,pois,um companheiro para tudo.Uma noite já estávamos em boas redes,contando anedotas uns para os outros,e esperando chegar os últimos companheiros que subiram e desceram o rio,para dormirmos sossegados,escutamos um ruido do lado do rio,como se animal espantado tivesse corrido para nosso lado,derrubando mato.Era o joão chegou sem poder falar,e horrorizado com o que vira naquele poço escuro que fica na curva do rio.Todos nos levantamos para socorre-lo.Que foi isso rapaz,perguntamos a um só tempo.Foi o negro d´agua que brotou mesmo em baixo do meu pesqueiro,fazendo um rebojo e um barulhão,antes de erguer a metade do corpo fora d"água. E dizendo isto olhava para todos os lados,assombrado.Você viu negro d'água coisa nenhuma,o que viu foi o boto,que nós também vimos hoje à tarde,na curva do poço da Piratininga.Os bolos do Araguaia sobem até aqui e gostam de se mostrar para os pescadores.E para provar que era isso mesmo,o nosso comparsa se meteu pelo caminho do poço indicado.Meia hora depois voltou confirmando que era boto mesmo,e se quiséssemos ver iramos todos apreciar as evoluções que eles fazem quando vêem o o homem. Alguém pediu a palavra para contar um caso que havia acontecido há tempos,e dava o seu testemunho do homem de fé,Qualidade que ninguém lhe negava.Todos aproximaram-se para ouvir a narrativa.Tratava-se do tenente Pacheco,um excelente companheiro de pescaria e de caçada,profundo conhecedor daquela região e também do Estado todo.-Uma noite,começou o oficial,estávamos pescando no rio Tapirapés,tributário do Araguaia,muito piscoso e com excelente caça;por essa razão prefiro para as excursões dos que vão à ilha,um enorme rebôjo.Logo a seguir algo emergiu espadanando áqua,e fazendo um estranho barulho.Julguei que se tratasse de enorme sucuri,e pus de jeito minha espingarda de caça.Há naquela região,muitas lagoas que são viveiros de sucuris.São elas que formam a cabeceira do rio.Não atirei no rumo;nunca fiz isso.Meti a lanterna elétrica em cima do rebôjo e avistei uma cara horrorosa,meio macaco meio homem,cabelos lisos e bem pretos,cobrindo todo o rosto.Os dentes eram alvos e pontiagudos,rindo para mim com ar de mofa.Os olhos refugindo pelo efeito da luz do farolete,eram duas tochas acesas.Nunca mais vi coisa igual.O indio Carajá que estava comigo já havia corrido espavorido.Gritou em português que não atirasse nele que ganharia maldição para o resto da minha vida.Quando o bicho mergulhou,aproveitamos para dar o fora,e o índio pediu que fossemos embora,a seguir,porque não haveria mais um único peixe para nós.Este é o sapo grande que governa o rio e aparece para quem fala mal do Araguaia.Não fizemos objeção e até hoje nos recordamos daqueles olhos que pareciam farol de automóvel aumentados pela luz da lanterna.Cada um então contou um caso de negro d"agua e joão nunca quis saber de participar de pescarias,apesar de convidado com insistência,porque no pior servia para ajudar a empurrar o fordinho e remendar câmaras de ar.

Fonte:Estória s Lendas de Goiás e Mato Grosso.Seleção de Regina Larcerda.Desenhos de J.Lanzelotti.Ed.Literat.1962
Imagens sohistoria.com.br



quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A VITÓRIA RÉGIA






Uma das mais lindas plantas aquáticas do mundo, a Vitória Régia (Euryle Amazônica) tem a folha de formato circular e mede até 1,80m de diâmetro. Parecida a uma bandeja, é bastante resistente e pode agüentar um peso de até 45 quilos. De cor verde na parte virada para cima e interna, e purpúrea na sua borda externa e parte inferior, a Vitória Régia vive em lagos, lagoas e rios de águas tranqüilas. Sua flor de cor branca com o centro rosado, alcança até 30 cm.
A Vitória Régia, com toda a sua beleza e exuberância chama a atenção de quantos a vêem, que ficam verdadeiramente extasiados. E tal aconteceu com o botânico inglês Lindlev que, ao contemplá-la, resolveu homenagear a rainha Vitória, da Inglaterra, e deu à planta o nome da soberana inglesa.
Mas, conforme relata Anísio Melo, nossos índios também não ficaram indiferentes à sua beleza e contam uma linda história para justificar-lhe a origem.
As lagoas e os lagos amazônicos são espelhos naturais da vaidosa Iaci, a lua. As cunhãs (índias) e as caboclas ao vê-la refletida sentiam toda a inspiração para o amor. Ficavam então no alto das colinas esperando pelo aparecimento da lua, e que com o contato de sua luz lhes chegasse o amor redentor e elas pudessem subir ao céu transformadas em estrelas

Um belo dia... uma linda cabocla, tomada pelo amor, resolveu que era chegado o momento de transformar-se em estrela. E com este intuito subiu à mais alta colina, esperando poder tocar a lua Iaci e assim concretizar o seu desejo. Mas... ao chegar ao cimo da colina viu a lua Iaci refletida na grande lagoa e pensou que estava a banhar-se... Na ânsia de tocar Iaci para realizar seu sonho de amor, a bela cabocla lançou-se às águas da lagoa... E ao que pensou tocá-la, afundou sumindo nas águas...
E a lua Iaci, condoída com o infortúnio de tão bela jovem e não podendo satisfazer seu desejo de levá-la para o céu em forma de estrela, transformou-a na bela estrela das águas, a linda planta aquática que é a Vitória Régia... cuja beleza e perfume são inconfundíveis.
Dizem que o local onde o fato aconteceu é o lago Espelho da Lua, situado no município de Faro, na região do baixo amazonas paraense...
Foto fonte http://flores.culturamix.com/flores/vitoria-regia

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sábado, 24 de outubro de 2009

O que sera das proximas gerações.?

http://www.greenpeace.org/brasil/amazonia/


O que fazer para salvar a floresta? Brasil precisa adotar imediatamente um programa nacional de combate ao desmatamento na Amazônia, com apoio financeiro da comunidade internacional. O programa criaria uma força-tarefa interministerial, com a participação de entidades representativas da sociedade civil e dos setores produtivos, para deter o avanço do desmatamento e reduzi-lo a zero. Entre as medidas necessárias para impedir uma maior destruição da Amazônia, destacamos: • A implementação dos compromissos nacionais e internacionais assumidos em 1992 durante a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB); • A destinação das áreas griladas na região amazônica (que, de acordo com dados das CPI da Grilagem chegam a 100 milhões de hectares, ou 20% da Amazônia Legal) para a criação de áreas de proteção como parques e reservas extrativistas de uso sustentável; • A implantação das unidades de conservação já aprovadas e que até hoje não saíram do papel; • Redirecionamento do programa nacional de reforma agrária para áreas já desmatadas; • Fortalecimento das instituições encarregadas da proteção ambiental como Ibama e secretarias estaduais de Meio Ambiente; • Adoção de mecanismos fiscais que punam a extração ilegal de madeira e beneficiem exclusivamente a produção de madeira através de manejo florestal sustentável e certificado pelo FSC. • Fortalecimento institucional e financeiro a projetos de manejo florestal comunitário; • Expansão dos programas governamentais de combate às queimadas; • Demarcação de todas as terras indígenas. Conter a destruição das florestas se tornou uma prioridade mundial, e não apenas um problema brasileiro. Restam hoje, em todo o planeta, apenas 22% da cobertura florestal original. A Europa Ocidental já perdeu 99,7% de suas florestas primárias; a Ásia, 94%; África, 92%; Oceania, 78%; América do Norte, 66%; e América do Sul, 54%. No caso específico da Amazônia brasileira, o desmatamento que era de 1% até 1970 pulou para quase 15% em 1999 – em quase 30 anos, uma área equivalente à França foi desmatada na região. É hora de dar um basta nisso.Publicação para  blogactionday

sábado, 12 de setembro de 2009

Lenda da Piripirioca

                                                                                                                                                                 A tribo Manau vivia num lugar muito bonito da floresta amazônica. A tribo era conhecida pela beleza das mulheres indígenas. Um dia um índio estranho estava pescando no lago próximo a tribo. Era Piripari que pescava pirás. Quando o bando de cunhãs da tribo Manau o avistou, elas se aproximaram para tentar conhecê-lo melhor. Uma delas falou: - De que terra vens, ó moço bonito? Tu és lindo feito a manhã. Piripari não as olhou, mas uma das índias botou a mão no ombro dele. Mal a mão tocou o moço, ficou toda perfumada. As cunhãs ficaram maravilhadas. - Moço, conta para nós qual é o teu segredo. Se não contares, o levaremos preso para nossa taba. Mas, ele apenas gritou: - Meu nome é Piripari! Ao gritar, ele pulou rapidamente no rio, e na linha de pescar levava três cunhãs. As outras moças pediam para ele não ir embora. - Piripari, não vás, somos amigas e te queremos bem. Elas esperaram por muito tempo que ele voltasse. Sentaram-se na praia e esperaram longamente pelo moço. No entanto, Piripari não voltou. Apenas o seu cheiro ficara no vento, um cheiro embriagador que envolvia toda a floresta. Lá longe, Piripari libertou as moças presas à linha de pesca. Ele disse a elas: - Não queiram pensar no meu amor. Ainda não é meu tempo de amar, não me esperem mais, cunhãs Manaus. Apaixonadas porém, as cunhãs permaneceram inconsoláveis na espera. Depois de muito tempo, vendo a tristeza das cunhãs, apareceu na tribo um jovem feiticeiro chamado Supi. Querendo ajudar as moças, ele disse: - Se o cabelo de vocês tocar Piripari, ele ficará preso. Quando a lua cheia vier, vão até a praia onde ele costuma estar e cada uma leve na mão um fio de cabelo para amarrá-lo. No dia marcado, as cunhãs foram para o rio. Ela viram Supi que estava pescando. Supi puxava a linha e tirou um peixe. Ele enterrou o peixe na areia. A lua subia bem alto. Elas viram que o peixe virava Piripiri. As cunhãs, devagarinho, com os fios de seus cabelos amarraram Piripari. Elas vibravam de contentes. Enquanto elas o amarravam ele olhava para o céu e cantava uma linda cantiga, mas ele não se mexia. Elas então queixaram-se a Supi: - Nós o prendemos, mas ele nem se deu conta. O feiticeiro tratou de tranquilizá-las: - Enquanto ele está cantando a alma dele passeia pelo céu, entre as estrelas. Não toquem no corpo dele, do contrário ele desperta e a alma ficará no céu. Logo que ele despertar, podem levá-lo para casa. No entanto, Piripari demorava a acordar. As cunhãs começaram a perder a paciência e diziam: _ Acorda, Piripari. Puraê, uma das cunhãs, chegou a tocar no ombro num gesto muito impaciente. Neste momento, Piripari se calou e a lua tornou-se escura. Soprou forte um vento frio e as cunhãs caíram em sono profundo. Quando elas acordaram, no mesmo local onde haviam deixado o corpo de Piripari estava uma pequena planta, uma plantinha apenas, mas de um perfume encantador. Neste instante, Supi se aproximou: _ Me escutem, cunhãs Manaus. Quem quiser cheiro de encanto, use no banho esta planta que desde hoje passará a se chamar piripirioca, a planta que nasceu de piripiri. E Puraê, a cunhã mais desobediente, de castigo, caiu nos braços de um sapo cururu gigante. As outras cunhãs, entristecidas, voltaram para a taba. Nunca mais Piripari foi visto à beira do rio ou cantando uma cantiga. Até hoje as caboclas da Amazônia usam a planta cheirosa para conquistar outros moços.

Desenho estraido do blog http://blogandomanaus.spaceblog.com.br/r68337/Lendas-Amazonicas/3/

domingo, 6 de setembro de 2009

MACUNAIMA

                                                                                                                                                               Nas terras de Roraima havia uma montanha muito alta onde um lago cristalino era expectador do triste amor entre o Sol e a Lua. Por motivos óbvios, nunca os dois apaixonados conseguiam se encontrar para vivenciar aquele amor. Quando o Sol subia no horizonte, a lua já descia para se pôr. E vice-versa. Por milhões e milhões de anos foi assim. Até que um dia, a natureza preparou um eclipse para que os dois se encontrassem finalmente. O plano deu certo. A Lua e o Sol se cruzaram no céu. As franjas de luz do sol ao redor da lua se espelharam nas águas do lago cristalino da montanha e fecundaram suas águas fazendo nascer Macunaíma, o alegre curumim do Monte Roraima.
Com o passar do tempo, Macunaíma cresceu e se transformou num guerreiro entre os índios Macuxi. Bem próximo do Monte Roraima havia uma árvore chamada de "Árvore de Todos os Frutos" porque dela brotavam ao mesmo tempo bananas, abacaxis, tucumãs, açaís e todas as outras deliciosas frutas que existem. Apenas Macunaíma tinha autoridade para colher as frutas e dividi-las entre os seus de forma igualitária.
Mas nem tudo poderia ser tão perfeito. Passadas algumas luas, a ambição e a inveja tomariam conta de alguns corações na tribo. Alguns índios mais afoitos subiram na árvore, derrubaram-lhe todos os frutos e quebraram vários galhos para plantar e fazer nascer mais árvores iguais àquela.
A grande "Árvore de Todos os Frutos" morreu e Macunaíma teve de castigar os culpados. O herói lançou fogo sobre toda a floresta e fez com que as árvores virassem pedra. A tribo entrou em caos e seus habitantes tiveram que fugir. Conta-se que, até hoje, o espírito de Macunaíma vive no Monte Roraima a chorar pela morte da "Árvore de todos os frutos".,


Desenho estraido do blog  http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/lendas-da-amazonia.html

sábado, 5 de setembro de 2009

A lenda do pirarucu


                                                                                                                                                                 O pirarucu é um peixe da Amazônia, cujo comprimento pode chegar até 2 metros. Suas escamas são grandes e rígidas o suficiente para serem usadas como lixas de unha, ou como artesanato ou simplesmente vendidas como souvenirs. A carne do Pirarucu é suave e usada em pratos típicos da nossa região. Pode também ser preparada de outras maneiras, frequentemente salgada e exposta ao sol para secar. Se fresca ou seca, a carne do pirarucu é sempre uma delícia em qualquer receita. Pirarucu era um índio que pertencia a tribo dos Uaiás que habitava as planícies de Lábrea no sudoeste da Amazonia.
Ele era um bravo guerreiro mas tinha um coração perverso, mesmo sendo filho de Pindarô, um homem de bom coração e também chefe da tribo. Pirarucu era cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder
.
Um dia, enquanto seu pai fazia uma visita amigável a tribos vizinhas, Pirarucu se aproveitou da ocasião para tomar como refém índios da aldeia e executá-los sem nenhuma motivo. Pirarucu também adorava criticar os deuses. Tupã, o deus dos deuses, observou Pirarucu por um longo tempo, até que cansado daquele comportamento, decidiu punir Pirarucu. Tupã chamou Polo e ordenou que ele espalhase seu mais poderoso relâmpago na área inteira. Ele também chamou Iururaruaçú, a deusa das torrentes, e ordenou que ela provocasse as mais fortes torrentes de chuva sobre Pirarucú, que estava pescando com outros índios as margens do rio Tocantins, não muito longe da aldeia.
O fogo de Tupã foi visto por toda a floresta. Quando Pirarucu percebeu as ondas furiosas do rio e ouviu a voz enraivecida de Tupã, ele somente as ignorou com uma risada e palavras de desprezo. Então Tupã enviou Xandoré, o demônio que odeia os homens, para atirar relâmpagos e trovões sobre Pirarucu, enchendo o ar de luz. Pirarucu tentou escapar, mas enquanto ele corria por entre os galhos das árvores, um relâmpago fulminante enviado por Xandoré acertou o coracão do guerreiro que mesmo assim ainda se recusou a pedir perdão.Todos aqueles que se encontravam com Pirarucu correram para a selva terrivelmente assustados, enquanto o corpo de Pirarucu, ainda vivo, foi levado para as profundezas do rio Tocantins e transformado em um gigante e escuro peixe. Pirarucu desapareceu nas águas e nunca mais retornou, mas por um longo tempo foi o terror da região.


Desenho extraido 11http://planetaterra2010.wordpress.com/page/33/

Lenda da Lua



A seguinte lenda conta sobre a origem da lua. Manduka namorava sua irmã. Todas as noites ia deitar com ela, mas não mostrava o rosto e nem falava, para não ser identificado. A irmã, tentando descobrir quem era, passou tinta de jenipapo no rosto de Manduka. Manduka lavou o rosto, porém a marca da tinta não saiu. Então ela descobriu quem era. Ficou com vergonha, muito brava e chorou muito. Manduka também ficou com vergonha pois todos passaram a saber o que ele havia feito. Então Manduka subiu numa árvore que ia até o céu. Depois, ele desceu e foi dizer aos Jurunas que ia voltar para a árvore e que não desceria nunca mais. Levou uma cotia pra não se sentir muito só. Aí virou lua. É por isso que a lua tem manchas escuras, por causa do jenipapo que a irmã passou em Manduka. No meio da lua costuma aparecer uma cotia comendo coco. É a outra mancha que a lua tem.


Foto estraida do site -http://omundocomoelee.blogspot.com/2011/07/lenda-indigena-da-lua-conta-que-manduka.html

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

JARUPARI

No tempo das Amazonas existia uma das lcamiabas que se apaixonou perdidamente por um valente guerreiro. Era lei em sua taba que, depois de um efusivo conúbio de amor, a mulher abandonasse para sempre o amante, depois de lhe oferecer a pedra sagrada - o Muiraquitã. Os dois amorosos foram obrigados a se separar e sofreram tanto que Iurupari - Deus do Sonho -, compadecido, resolveu abrandar a sua mágoa. E, à noite, durante o sono, entretecia ele redes nupciais das mais lindas penas, unindo-as e embalando-as espiritualmente. Um dia, o guerreiro, cada vez mais apaixonado por aquela que só via em sonho, aproximou-se da tribo das Amazonas. Contam, então, que vagando em procura da sua amada, se deixou aprisionar par uma audaz tapiina. Chegando à maloca, as Amazonas, irritadas pela imprevista incursão do guerreiro, resolveram condená-lo ao sacrifício. Ao chegar a noite, depois que se fez o silêncio na taba, para salvar-lhe a vida, a amante veio pedir que fugisse. Mas ele a nada cedeu e disse: - Prefiro morrer a manchar meu nome de guerreiro altivo, desassombrado da própria morte. Então, ela, vendo que as suas súplicas não eram atendidas, invocou Iurupari e, cerrando os olhos, adormeceu ao lado do seu prisioneiro. No outro dia, ao alvorecer, encontraram os dois amantes mortos na rede. - Foi Iurupari! Foi Iurupari! - prorromperam as Icamiabas, assustadas. E, batendo fortes palmas com as mãos e ressoando os maracás, num alarido infernal, procuraram afastar de seus olhos a visão chamejante de Iurupari, que fugia com a luz da manhã.http://jornale.com.br/wicca/2009/04/28/morte-de-ualri/

MAPINGUARI

Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém usa uma armadura feita do casco da tartaruga, para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré. Há quem diga que seus pés tem o formato de uma mão de pilão. O Mapinguari emite um grito semelhante ao grito dado pelos caçadores. Se alguém responder, ele logo vai ao encontro do desavisado, que acaba perdendo a vida. A criatura é feroz e não teme nem caçador, porque é capaz de dilatar o aço quando sopra no cano da espingarda. Os ribeirinhos amazônicos contam muitas histórias de grandes combates entre o Mapinguari e valentes caçadores. O Mapinguari sempre leva vantagem e os caçadores que conseguem sobreviver, muitas vezes ficam aleijados ou com terríveis marcas no corpo para o resto de suas vidas. Há quem diga que o Mapinguari só anda pelas florestas de dia, guardando a noite para dormir. Quando anda pela mata, vai gritando, quebrando galhos e derrubando árvores, deixando um rastro de destruição. Outros contam que ele só aparece nos dias santos ou feriados. Dizem que ele só foge quando vê um bicho-preguiça. O que ninguém explica é porque ele tem medo justamente do seu parente, já que é considerado um bicho-preguiça pré-histórico.









sábado, 29 de agosto de 2009

LENDA DA MANDIOCA

Em uma certa tribo indígena a filha do cacique ficou grávida.
Quando o cacique soube deste fato, ficou muito triste, pois seu maior sonho era que a sua filha se casasse com um forte e ilustre guerreiro. No entanto, agora ela estava esperando um filho de um desconhecido. À noite, o cacique sonhou que um homem branco aparecia a sua frente e dizia para que ele não ficasse triste, pois sua filha não o havia enganado e que ela continuava sendo pura. A partir deste dia, o cacique voltou a ser alegre e a tratar bem sua filha. Algumas luas se passaram e a índia deu a luz a uma linda menina de pele muito branca e delicada, que recebeu o nome de Mani . Mani era uma criança muito inteligente e alegre, sendo muito querida por todos da tribo. Um dia, em uma manhã ensolarada, Mani não acordou cedo como de costume. Sua mãe foi acordá-la e a encontrou morta. A índia desesperada resolveu enterrá-la dentro da maloca. Todos os dias a cova de Mani era regada pelas lágrimas saudosas de sua mãe. Um dia, quando a mãe de Mani fora até a cova para regá-la novamente com suas lágrimas, percebeu que uma bela planta havia nascido naquele local. Era uma planta totalmente diferente das demais e desconhecida de todos os índios da floresta. A mãe de Mani começou a cuidar desta plantinha com todo carinho, até que um dia percebeu que a terra à sua volta apresentava rachaduras. A índia imaginou que sua filha estava voltando à vida e, cheia de esperanças, começou a cavar a terra. Em lugar de sua querida filhinha encontrou raízes muito grossas, brancas como o leite, que vieram a tornar-se o alimento principal de todas as tribos indígenas. Em sua homenagem deram o nome de MANDIOCA, que quer dizer Casa de Mani.


Foto fonte http://educarencantando.blogspot.com/2009/04/lenda-da-mandioca.html

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A LENDA DO TABA-TAJÁ


Na tribo Macuxi havia um índio forte e muito inteligente. Um dia ele se apaixonou por uma bela índia de sua aldeia. Casaram-se logo depois e viviam muito felizes, até que um dia a índia ficou gravemente doente e paralítica.


O índio Macuxi, para não se separar de sua amada, teceu uma tipóia e amarrou a índia à sua costa, levando-a para todos os lugares em que andava. Certo dia, porém, o índio sentiu que sua carga estava mais pesada que o normal e, qual não foi sua tristeza, quando desamarrou a tipóia e constatou que a sua esposa tão querida estava morta.
O índio foi à floresta e cavou um buraco à beira de um igarapé.
Enterrou-se junto com a índia, pois para ele não havia mais razão para continuar vivendo.
Algumas luas se passaram. Chegou a lua cheia e naquele mesmo local começou a brotar na terra uma graciosa planta, espécie totalmente diferente e desconhecida de todos os índios Macuxis. Era a TAMBA-TAJÁ, planta de folhas triangulares, de cor verde escura, trazendo em seu verso uma outra folha de tamanho reduzido, cujo formato se assemelha ao órgão genital feminino.
A união das duas folhas simboliza o grande amor existente entre o casal da tribo Macuxi.
O caboclo da Amazônia costuma cultivar esta curiosa planta, atribuindo a ela poderes místicos.
Se, por exemplo, em uma determinada casa a planta crescer viçosa com folhas exuberantes, trazendo no seu verso a folha menor, é sinal que existe muito amor naquela casa. Mas se nas folhas grandes não existirem as pequeninas, não há amor naquele lar. Também se a planta apresenta mais de uma folhinha em seu verso, acredita-se então que existe infidelidade entre o casal.
De qualquer modo, vale a pena cultivar em casa um pezinho de TAMBA-TAJÁ.


Foto fonte http://blogandomanaus.spaceblog.com.br/10/

A LENDA DE CEUCI


A origem desta lenda se dá do cerro das 7 estrelas ou plêiades, em que os naturais tupís indicavam o nome de variável de: Cincy, Cincê, Cucê. Com este ingênuo nome, Ceuci filha de Tupã e de Luaci. Luaci que era conhecida como mãe do céu abaixo do sol, onde morava na espuma de uma nuvem e ao navegar no espaço aproveitava-se do sono desta menina caraíba para encorporar-se nela expulsando a alma, que desde então a seguiu como uma sombra impertinente, queria a todo transe voltar ao corpo e dormindo ela, esta selvagem menina recebeu o espírito divino, tornando-a assim a cunha aporanga e mais ladina da tribo, seus encantos no dia a dia aumentavam cada vez mais, adquirindo poder de amainar as feras e acalmar os ventos. Certo dia quando passeava pelo mato, uma lua antes de sua carimã (festa da puberdade das donzelas), deixou-se tentar por frutos maduros e sedosos de doçura que eram vedados aos desejos das impúberes, o sumo escorrendo-lhe pelos seus seios abaixo despertou a fecundação, os caraíbas ficaram revoltados, embora ela continuasse a garantir que era virgem e não fora visitada pelo “Yaciteiú”, mas o conselho da tribo e o alto da “Aharaigichi” exigiam que o conselho dos velhos se reunisse regido pelo Pajé-assú com a eminência de resolver o caso. Ceuci risonha e tranqüila resolveu aparecer, porém suspeitando da mácula gritasse na gravidez. E os maracás soaram no ar desfazendo os indícios e festejando a virgindade intacta. Porém, os maiorais para dar exemplos cunhãns desprevenidas, resolveram desenterrar Ceuci para elevadíssimas. Itacangas da cerra do “Cunakê”. E assim foi no exílio, sem culpa, castigada, mas inocente, Ceuci veio dar a luz a Jurupari, o reformador, o profeta, o silencioso, dos caiuras, inflexível como um juramento e eterno como símbolo. Aos 10 anos de idade já assombrava aos seus, pela força de argumentos e mostrando uma experiência e sabedoria, os mais valentes guerreiros da redondeza vinham ouvi-lo silenciosamente, pois ele revelava e ditava a lei da agricultura e foi espalhando as suas lições na montanha de Cunakê. Despeitado com Tupã, Anhangá não tardou pela curiosidade e aproximou-se da serra conduzindo em sua companhia a linda e bela Ceuci que foi arrastada pelo desejo de assistir a Poracé (festa) em honra de Jurupari, porém aconteceu que Anhangá empregando as suas artes tortuosas conseguiu induzir Ceuci transportando um terreno que não era permitido a curiosidade feminina. Desta forma violou o recinto privativo a mãe de Jurupari que condenava ao sacrifício certo. Celebrando assim os Pagé-assús chamaram a noite do rito: Ceuci, Tieté, Unandú! E um corpo de mulher caiu ao solo fulminando.


Mandaram então buscar Jurupari afim de ressuscitá-la, mas o nosso herói, inflexível não transgride a lei, mesmo que seja uma pessoa especial como Ceuci: “Morreste ó mãe, porque desobedeceste a lei de Tupã, esta lei que eu ensino, agora podes subir radiante, pura e bela aos braços de meu pai”. O corpo de Ceuci enchendo-se de uma figuração estranha acendeu iluminado, atravessou o espaço e fez-se estrela e ela tornou-se a mais formosa das plêiades, transformou-se para exemplificar o respeito que devia inspirar aos selvagens, as leis dos Moisés dos Tupis.


Ceuci – Mãe dos Moisés do Tupis, dos caraíbas e Anãmas, é uma deusa morta, porque nunca mais veio à terra, de grande prestígio na mitologia da América do Sul. É ela quem do luaca, distribuiu a sorte às “Tainaetas” (enlevo dos lares das florestas).
Na astronomia das tribos sul-americanas, Ceuci também é conhecida por Ciucy e Celchu, chamada vulgarmente a Constelação das Plêiades.




Cueurra – É a árvore do bem e do mal, na tradição aborígine. No Solimões é conhecida pelo nome de Purumã. Entra na lenda de Jurupari e assume um papel de destacada importância. Ao seu sumo atribuiu-se a fecundação de Ceuci, a Eva ingênua dos Caiuaras. Distraída sob a árvore não atinou que o sumo traiçoeiro, deslizando voluptosamente pelo corpo, molhando-lhe os seios e lambendo-lhe o ventre, lhe comprometia a virgindade.




Anhangá – (quer dizer sombra, espírito) A figura com que as tradições o representam é de um veado branco, com os olhos de fogo. Todo aquele que persegue um animal que amamenta corre o risco de ver o Anhangá, e a sua vista traz febre e às vezes a loucura.


Foto fonte http://sagrado-feminino.blogspot.com/2010/03/ceucy-mae-das-estrelas.html

A LENDA DO MUIRAQUITÃ

A lenda do Muiraquitã é considerada um verdadeiro amuleto da sorte, que consiste num sapinho feito de pedra ou argila, é geralmente de cor verde, que era confeccionado em jade. Os indígenas contam a seguinte lenda: que estes batráquios, que eram confeccionados pelas índias que habitavam às margens do rio Amazonas. As belas índias nas noites de luar em que clareava a terra se dirigiam a um lago mais próximo e mergulhavam em suas águas retirando do fundo do lago bonitas pedras que modelavam rapidamente e ofereciam aos seus amados, como um verdadeiro talismã que pendurado ao pescoço levavam para caça, acreditando que traria boa sorte e felicidade ao guerreiro. Conta a lenda que até nos dias de hoje muitas pessoas acreditam que o Muiraquitã trás felicidade e é considerado um amuleto de sorte para quem o possui. O Muiraquitã apresenta também outras formas de animais, como jacaré, tartaruga, onça, mas é na forma de sapo a mais procurada e representada por ser a lenda mais original. As Icamiabas ofertavam a seus parceiros Guacaris, tribo mais próxima de nossas Amazonas, após o acasalamento na festa dedicada a Iaci, entidade considerada mãe do Muiraquitã e que anualmente durava dias. Conta a lenda, que depois de manterem relações sexuais, as Icamiabas mergulhavam até o fundo lo lago espelho da lua, nas proximidades das nascentes do rio Nhamundá, perto do qual habitavam as índias, nação das legendárias mulheres guerreiras que os europeus chamavam de amazonas (mulheres sem maridos), para receber de Iaci o famoso talismã, o qual recebia as bênçãos da divindade. A lenda diz também, que se dessa união nascessem filhos masculinos, estes seriam sacrificados, deixando sobreviver somente os do sexo feminino.


Foto fonte http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/lendas-da-amazonia.html

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A lenda da vitória régia



Em uma tribo indígena da Amazônia vivia uma bela índia chamada Naiá. Ela acreditava que a lua escolhia as moças mais bonitas e as transformava em estrelas que brilhariam para sempre no firmamento. A índia Naiá também desejava ser escolhida pela lua para ser transformada em uma estrela.




Todas as noites ela saía de sua oca a fim de ser vista pela lua mas, para sua tristeza, a lua não a chamava para junto de si.


Naiá já não dormia mais. Passava as noites andando na beira do lago, tentando despertar a atenção da lua .


Em uma noite, a índia viu, nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e morreu afogada.


A lua, comovida diante do sacrifício da bela jovem, resolveu transformá-la em uma estrela diferente, daquelas que brilham no céu. E ainda resolveu imortalizá-la na terra, transformando-a em uma delicada flor: a VITÓRIA-RÉGIA (estrela das águas).


Curiosamente as flores desta planta só abrem durante a noite. É uma flor de perfume ativo e, suas pétalas, que ao desabrocharem são brancas, tornam-se rosadas quando os primeiros raios do sol aparecem.
http://inganjaobjectivismo.blogspot.com.br/2010/02/vitoria-regia-httpwww.html

A lenda do boto


Este o mais famoso e conhecido, também é chamado Uauiara. Foi confiado a ele a sorte dos peixes. Conta a lenda que o Boto, peixe encontrado nos rios da Amazônia, se transforma de noite num elegante e belo rapaz, o Boto ou Uauiara se transforma deixando de ser animal e sai das águas para conquistar as moças. Hoje nos interiores do Pará todas as pessoas gostam de contar ou narrar aos visitantes que chegam uma série de histórias extravagantes e grotescas em que as moças da cidade ou simplesmente próximo aos rios e igarapés que não resistem a simpatia e beleza, e caem de amor por ele. O Boto é considerado como o protetor das mulheres, e quando ocorre algum naufrágio em uma embarcação o Boto se manifesta e procura salvar a vida das mulheres, procurando empurrá-las para as margens do rio. As eternas e melancólicas histórias em que figura como herói o Boto é considerado como grande amador de nossas índias e elas alegam que seu primeiro filho e com muita certeza é dele, dando crédito a este Deus que transformado na figura de mortal seduziu e arrebatou para debaixo d’água, onde a infeliz foi forçada a fazer sexo com ele, estas mulheres caboclas ou índias conquistadas as margens dos rios quando vão banhar-se, ou nas festas realizadas no interior ou próximas dos rios. Nas noites de luar muitas vezes o lago se ilumina e se ouvem as cantigas da festa dele, dando cregam que seu primeiro filho e com muita certeza curando empurrafmomentoador que mata um animal fr acertar um tir de danças com que o Boto se diverte, este vai ao baile e dança alegremente com a moça a que pretende conquistar. Envolve-se com ela com bonitos galanteios e as pobrezinhas de nada desconfiam e só depois de apaixonadas as moças ficam grávidas e ao Boto, este galante rapaz, é atribuído a paternidade dos filhos das mães solteiras. Este lendário é conhecido peixe, anda sempre de chapéu, e dizem que sua cabeça exala um cheiro forte de peixe, tendo ele um chapéu para cobrir o buraco que há em sua cabeça.




Quando ele chega à festa é desconhecido de todos, mas vai logo conquistando a moça mais bonita e com ela dança a noite inteira, mas antes que o dia amanheça e sem ninguém perceber, pois precisa voltar rapidamente para o rio antes que o encanto termine. O Boto é a figura popular das águas e do folclore da região amazônica e sua aparência é de um golfinho.
Os órgãos sexuais quer do Boto, quer da sua fêmea, são muito utilizados em feitiçaria, visando a conquista ou domínio do ente amado. Porém o mais utilizado do mesmo é o olho do Boto, que é considerado amuleto do mais forte na arte do amor e sorte.
Dizem mesmo que, segurando na mão um amuleto feito de olho de Boto tem que ter cuidado para quem olhar, pois o efeito é fulminante: pode atrair até mesmo pessoas do mesmo sexo, que ficam apaixonadas pelo possuidor do olho de Boto, sendo difícil de desfazer o efeito...
Conta-se algumas histórias em que maridos desconfiados de que alguém estava tentando conquistar suas mulheres armaram uma cilada para pegar o conquistador. A cilada geralmente acontece à noite, aonde o marido vai a luta com o seu rival, mesmo ferido, consegue fugir e atirar-se n’água. No dia seguinte, para a surpresa do marido e demais pessoas que acompanharam a luta, o cadáver aparece na beira d’água com o ferimento da faca, ou de tiros, ou ainda com o arpão cravado no corpo, conforme a arma utilizada, não de um homem, mas pura e simplesmente um Boto.Foto fonte .http://animais.culturamix.com/informacoes/mamiferos/grandes/boto

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Mulher e a lendas Amazonica

Desde antes de Cristo que se falava na existência de mulheres guerreiras, que viviam sós, isoladas de homens, com os quais se encontrariam para fins de acasalamento e assim mesmo ficando para criar apenas as crianças do sexo feminino. Eram as amazonas, [ do grego a (não, sem) e mazós (seios)], ou seja, as mulheres sem seios, pois tais mulheres, quando ainda jovens, deviam queimar ou atrofiar o seio direito, a fim de facilitar o manejo do arco. Nascida tal história com a mitologia grega, espalhou-se durante a Idade Média, chegando aos tempos modernos, tendo o tema inspirado muitos escritores e artistas. Tais amazonas reinariam na região da Capadócia,situada na Ásia Menor.
Em 1541, após descer o afluente Napo e chegar ao então Mar Dulce, nome que Pinzon dera ao Rio Amazonas, eis que Francisco de Orelhana é atacado por uma tribo de mulheres que, no testemunho de Frei Gaspar de Carvajal, "são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios". Em seu relato, Carvajal narra a seguir que embora abatessem vários índios que eram comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os espanhóis se viram obrigados a fugir, tendo porém capturado um índio. Este, mais tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo
chefe, senhor de toda a área ( o ataque tinha se dado na foz do Rio Nhamundá ), era súdito das mulheres que residiam no interior. Na qualidade de súditos, obedeciam e pagavam tributos às mulheres guerreiras, que eram acompanhadas pelo chefe Conhori. O prisioneiro, respondendo a várias perguntas do comandante, disse que as mulheres não eram casadas e que sabia existir setenta aldeias delas. Descreveu as casas das mulheres como sendo de pedra e com portas, sendo todas as aldeias bastante vigiadas.
Disse ainda que elas pariam mesmo sem ser casadas porque, quando tinham desejo, levavam os homens de tribos vizinhas à força, ficando com eles até emprenharem, quando então os mandavam embora. Quando tinham a criança, se homem, era morto ou então mandavam para que o pai o criasse, se era mulher, com ela ficavam e a menina era educada conforme as suas tradições guerreiras. Descreveu ainda seus hábitos e suas riquezas, pois que tais mulheres possuíam muito ouro e prata.
O encontro e as escaramuças à foz do Rio Nhamundá (hoje limite entre os estados do pará e do Amazonas) com os índios e/ou as índias mais a descrição do prisioneiro foi bastante para que houvesse associação com as Amazonas da Capadócia. E o rio, até então mar Dulce, passa a ser chamado Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) e finalmente Rio Amazonas. A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo, atemorizando uns, surpreendendo outros, mas maravilhando a todas os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras...!


Foto fonte http://brincabrincarte.blogspot.com/2008/09/lendas-poticas-lenda-do-amazonas.html

Corupira (Mãe do mato)


É interessante que geralmente se use o artigo definido masculino "o" para referir-se a este fantástico ente das florestas a quem se empresta justamente o atributo feminino da maternidade. Realmente, no interior paraense ou amazônida, não se referem a este ser como se fora uma mulher: é sempre "o curupira", mas no entanto lhe é reconhecida de maneira generalizada a proteção da flora e fauna sob o nome genérico e extensivo de "mãe do mato".

Descrito como sendo um pequeno ser com traços índios, segundo alguns com os pés voltados para trás, cor escura, o curupira possui o Dom de ficar invisível.

Guardião das florestas e dos animais, é entretanto protetor daqueles que sabem se relacionar com a natureza, utilizando-a apenas para a sua sobrevivência, ou seja, o homem que derruba árvores para construir sua casa e seus utensílios, ou ainda para fazer o seu roçado e caça apenas para alimentar-se, tem a proteção do Curupira. Mas aqueles que derrubam a mata sem necessidade, os que maltratam plantas e animais, os que caçam por pura perversidade, estes tem no Curupira um terrível inimigo.

E como o Curupira se vinga daqueles que afrontam a natureza? Há muitas maneiras diferentes e os povos da floresta contam histórias e mais histórias...

Dizem que o Curupira faz o mau caçador perder a noção de seu rumo e ficar dando voltas no mato, retornando sempre ao mesmo lugar. Para escapar e salvar-se, só pegando um cipó no mato, fazendo um trançado, escondendo as pontas, jogando para trás sem olhar e gritando:

•Curupira, quero ver se és capaz de desfazer este trançado!

Diante do desafio, o Curupira vai pegar o cipó entrelaçado e acaba distraindo sua atenção do caçador, que acaba achando o caminho de volta. Outra forma de atingir o malvado é fazendo com que sua arma (arco e flecha, lança ou arma de fogo) fique "panema", ou seja, azarada, e portanto incapaz de acertar qualquer tipo de alvo, principalmente a caça.

Para acabar com a "panemice" (o azar), tem de procurar pajé que vai fazer banhos de ervas e rezar orações especiais.

Se o caçador vai matar um animal fêmea com cria, aí o Curupira fica realmente zangado e faz com que a pretensa caça vire meuã. Virar meuã é, de repente, portar-se como se gente fosse, e fazendo os gestos como implorar piedade. Neste momento, o caçador fica assombrado, não consegue mais fazer pontaria e foge apavorado, procurando o rumo de casa. Tem também que procurar pajé. Dizem que pessoas que viriam animais virarem "meuã" nunca mais quiseram saber de caça...

Como se vê, o Corupira - a mãe do mato é, acima de tudo, em tempos atuais, uma entidade ecologicamente correta...http://www.mundoeducacao.com.br/datas-comemorativas/dia-protetor-florestas.htm

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Lenda Baré,uma história de amor



O território da tribo Baré estendia-se de Manaus a todo o médio e alto rio Negro e pelo canal do Casiquiare, até algumas aldeias no rio Pacimoni. Situava-se nos limites dos antigos impérios espanhol e português, região que foi cenário de contínuas migrações e disputas territoriais. Compreendia do Amazonas ao delta do Orenoco, controlando o alto rio Negro. Oriundos da família lingüística Aruak, hoje
falam uma “língua geral” difundida pelos carmelitas no período colonial, o Nheengatu, forma simplificada do Tupi antigo, adaptado e amplamente difundido pelos primeiros missionários. Os Baré integram a área cultural conhecida como nordeste amazônico, que abrange a linha fronteiriça entre o Brasil e a Colômbia e faz um desenho que lembra uma cabeça de cachorro, habitada tradicionalmente há pelo menos dois mil anos por etnias que falam idiomas pertencentes a três famílias lingüísticas: Aruak, Maku e Tukano. A despeito do multilingüismo e de diferenças
culturais, as 27 etnias que habitam a região – 22 presentes no Brasil – compõem uma mesma área cultural, estando em grande medida articuladas numa rede de trocas identificadas no que diz respeito à cultura material, à organização social e à visão de mundo. Para certos estudiosos, Baré significa “companheiro”, enquanto outros opinam que a palavra poderia derivar de “bari”, que significa “homens brancos”. Para esta etnia, no princípio do mundo, tudo era assexuado, inclusive as estrelas. Mudanças políticas e culturais nessa sociedade deram origem aos grupos arahuacos de hoje, os warekena, os wakuénai, os baré e os baniwa. Origem do povo Baré Segundo narrativa de Braz de Oliveira França, ex-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e atual administrador-adjunto regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de São Gabriel da Cachoeira, “antigamente, ainda no início do mundo, entrou no rio Negro, vindo do rio maior um grande navio, cheio de gentes no seu interior e cada um com seu par. Apenas um homem viajava neste mesmo navio, pelo lado de fora, pois o mesmo não foi aceito dentro por não estar acompanhado. Ao passar pela foz do rio Negro viajava tão próximo das margens do rio, que os passageiros viram que havia muitas pessoas na margem, inclusive o homem que viajava pelo lado de fora, o qual não resistindo à tentação, logo se jogou para fora e nadou para a margem do rio. Ao alcançar a beira, ele foi agarrado por um grupo de mulheres guerreiras que tinham o costume de aceitar apenas mulheres em seu grupo. Quando tinham necessidade de ter filhos, aprisionavam machos de outras tribos e dessa relação, se nascesse mulher elas criavam, e se fosse homem elas matavam. Esse seria o destino do homem que nadou até a margem, para quem deram o nome de”Mira-Bóia” (Gente-cobra), se não fosse sua estrutura física ser um pouco diferente das que elas já conheciam, por isso resolveram poupar-lhe a vida depois de terem submetido Mira-bóia a um rigoroso teste de masculinidade. As guerreiras então prepararam uma grande festa na primeira Lua Cheia, grande fogueira no centro do pátio foi feita, muitas frutas e mel silvestre foram coletados. A festa com os rituais rolaram durante oito dias. No fim da festa, o grupo tomou a seguinte decisão: Mira-bóia ficaria morando com um grupo com a condição de gerar um filho com cada uma delas. Teria que dormir três noites com uma mulher que estivesse na época do seu período fértil. Terminando essa missão, ele seria executado, assim como todo filho que nascesse homem. Mira-bóia então passou a conviver com o grupo por um longo período, nessas condições, até
que gerasse filho com a última mulher, e essa última era a “Tipa”(Rouxinol), uma jovem muito bela que estava no primeiro período de menstruação. Ela, por ser a mais nova, a mais bonita e muito querida pelo grupo, teve o privilégio de morar com Mira-bóia até que sua gestação aparecesse visualmente para o resto do grupo. Devido a isso Tipa e Mira-bóia passaram a viver uma vida a dois e quando ela percebeu que já estava gestante, descobriu-se também perdidamente apaixonada pelo companheiro. O mesmo acontecia com Mira-bóia. Como o destino do nosso herói seria a morte, ela conseguiu convencer o seu já considerado marido para uma fuga. No primeiro período de Lua Nova ele e ela fugiram, aproveitando o momento em que as guerreiras saíram para caçar e coletar mel e frutas, o que serviria de consumo nos dias da festa da execução do homem que dera para o grupo muitas guerreiras de sua geração. Foram viver distante dos demais grupos. Acredita-se que esse local tenha sido nas proximidades de Mura no baixo rio Negro. Depois de mais ou menos 30 anos, a família já estava grande, Tipa e Mira-bóia todos os dias pela tarde curtiam sua felicidade juntos com os filhos e filhas de sua geração. Com isso eles viram que podiam ser uma família muito maior. Foi então que Tupana ordenou que viesse até eles o seu Mensageiro, o qual se chamou Purnaminari para lhes dizer o seguinte: “Aquilo que vocês estão pensando agrada a Tupana, por isso ele me enviou, para ensinar vocês a trabalhar e com isso garantir a comida de vocês todos os dias”. Purnaminari então passou a morar com eles por um longo período, ensinando-os a fazer canoa, remo, roça, armadilha para pegar caça, peixe e treinar o novo grupo para guerra. Quando o pequeno grupo já sabia de tudo que lhe foi ensinado, ele organizou uma grande festa com Dabucury, Adaby e Curiamã para preparar o povo na sua caminhada, dizendo: “Agora que vocês já sabem de tudo o que eu lhes ensinei para viver, voltem para a terra de Tipa e tomem todas as mulheres do antigo grupo de Tipa para serem mulheres de vocês, aí então vocês serão grandes e respeitados e conhecidos por Baré-mira (povo Baré)”. Purnaminari, o mensageiro de Tupana, voltou várias vezes para visitar e instruir seu povo. O grupo cresceu bastante a ponto de dominar totalmente a região do baixo e médio rio Negro. Ao chegarem a Cachoeira de Tawa (São Gabriel) permaneceram ali até que Purnaminari decidisse o novo destino do seu povo. No entanto, nessa cachoeira Kurukui e Bururi desentenderam-se e brigaram muito entre si, por isso resolveram separar-se, ficando Kurukui de um lado e Buburi de outro lado do rio. Essa separação acabou provocando desobediência às regras de Purnaminari, que ordenou ao povo não se misturar com outros grupos, porém Kurukui e Baburi acharam que para poder aumentar os seus grupos tinham que ter muitas mulheres. Foi quando eles guerrearam com grupos menores para tomar suas mulheres e se multiplicarem. Assim Tipa e Mira-bóia fizeram e conseguiram ser pais de um grande povo que, até à chegada dos “brancos”, habitava o rio Negro desde a foz até às cachoeiras. “Vai aparecer do rio maior, o maior e mais poderoso inimigo de vocês”. Foi com essa mensagem que Purnaminari, o grande mensageiro de Tupana, tentou prevenir todos os povos que dominavam estas terras antes de 1500. Talvez os pajés e os chefes imaginassem que este poderoso inimigo fosse uma epidemia ou a ira dos ventos, revolta das matas ou mesmo vingança de Curupira. Mas em nenhum momento eles imaginaram que o inimigo seria o homem branco, vindo do meio do mar, conforme testemunharam os olhares Tupiniquim, Tupinambá e quem sabe outros povos nativos da costa atlântica. Muitos anos depois, essa mesma história se repetiria nas terras dos valentes Xavante, Kaiapó, Juruna e Kayabi no Centro-Oeste, entre os Tarumã, Baré e Manao, na confluência dos rios Negro e Solimões, e entre os Tukano, Baniwa, Desana e outros no extremo norte, no alto rio Negro. Possivelmente, esses brancos foram recebidos com grande surpresa e admiração, mostrando-se por sua vez, com cara de bons amigos, oferecendo presentes, tentando se comunicar através de gestos e sinais. Mas o povo jamais poderia imaginar a tamanha barbaridade que o homem branco seria capaz. Não sabiam que a partir de então estava decretado o genocídio, o etnocídio, os massacres e as opressões dirigidos àqueles que passaram a ser chamados de índios. No rio Negro, habitado ao longo de todo o seu curso pelo povo Baré, e em seus afluentes pelos Tukano, Desana, Arapasso, Wanano, Tuyuka, Baniwa, Warekena e outros, ocorreram as mesmas violências. Povos e aldeias inteiras foram dizimados pelos invasores franceses, holandeses e portugueses. Comerciantes brancos, credenciados pelos governadores das províncias, eram portadores de carta branca para praticarem qualquer ato criminoso contra os povos indígenas. Nem mesmo o grande cacique guerreiro “Wayury-kawa” (Ajuricaba) conseguiu livrar seu povo dos carrascos invasores, pois a luta era totalmente desigual: enquanto os índios lutavam com suas flechas e zarabatanas, os brancos disparavam poderosos canhões contra homens, mulheres e crianças que tentavam impedi-los de entrar em suas terras. Mas mesmo dominado, preso e ferido, Ajuricaba preferiu a morte, jogando-se acorrentado ao rio. Portal Amazônia 19.12.2005-GC Fonte: http://portalamazonia.globo.com/pscript/amazoniadeaaz/artigoAZ.php?idAz=331

O canto do Pássaro sagrado da Amazônia



Durante o ano todo o Uirapuru canta apenas cerca de quinze dias; na época do seu acasalamento. Esses cantos duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época da construção de seu ninho.

O som, puro e delicado como de uma flauta, parece ter saído de uma entidade divina. O canto do uirapuru ecoa na mata virgem.

Neste pássaro o real e o lendário se confundem.
Dizem que ele não repete frases musicais.Os caboclos mateiros dizem com grande convicção que, quando canta o uirapuru, a floresta silencia. Como se todos os cantores parassem para reverenciar o mestre.
Por estas qualidades o sertanejo e os indígenas o consideram um pássaro sobrenatural.

Quando o Uirapuru canta toda a Floresta silencia, o reverenciando!
Feliz daquele que ouve o canto do Uirapuru! (quando você acabar de ouvir o canto do Uuirapuru, feche os olhos e com muita fé faca um pedido, que ele poderá se realizar).

Uirapuru

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Matita Pereira





Não existe consenso a respeito de matita pereira ser um pássaro ou uma velha. O fato é que Matita possue um assobio inconfundivel, que o caçador ao ouvir não tem dúvidas de ser ela. Matita, segundo a lenda sai a noite sobrevoa a casa daquele que zombou dela ou que a maltratou durante o dia, assombrando e assustando as criações de animais ou cachorros. Matita gosta de mascar tabaco, um ponto fraco usado por aqueles que querem descobrir a identidade de Matita. Segundo a lenda, quando alguém ouve o assobio de Matita na mata logo grita bem alto: "Vem buscar tabaco!". no dia seguinte, nas primeirs horas da manhã Matita bate a porta da pessoa para buscar o tabaco prometido. A pessoa se assusta e logo procura um pedaço de fumo para ofertar a Matita, caso a pessoa não der, matita volta a noite para assombrar a casa não deixando ninguém dormir.
Algumas lendas contam que caçadores que encontraram matita no meio da mata, descreveram matita como uma mulher velha com cabelos compridos e despenteados e que tem o corpo suspenso, flua com os braços levantados. Quem a ver fica paralizado de pavor.
Uma outra lenda a respeito de Matita Pereira, diz que quando Matinta pressente sua morte, elasai vagando pela noite e gritando: "quem quer? Quem quer?, quem responder "eu quero", fica coma maldição de virar Matinta.


Foto fonte http://bethccruz.blogspot.com/2009/03/lendas-da-amazonia.html

A lenda da Cobra Honorato







A lenda da cobra Honorato ou Norato é uma das mais conhecidas sobre cobra grande (ou boiúna) na região amazônica. Conta-se que uma índia engravidou da Boiúna e teve duas crianças: uma menina que se chamou de Maria e um menino chamado de Honorato. Para que ninguém soubesse da gravidez, a mãe tentou matar os recém-nascidos jogando-os no rio. Mas eles não morreram e nas águas foram se criando como cobras. Porém, desde a infância os dois irmãos já demonstravam a grande diferença de comportamento entre eles. Maria era má, fazia de tudo para prejudicar os pescadores e ribeirinhos. Afundava barcos e fazia com que seus tripulantes morressem afogados. Enquanto seu irmão, Honorato, era meigo e bondoso. Quando sabia que Maria ir atacar algum barco, tentava salvar a tripulação. Isso só fazia com que ela o odiasse mais ainda. Até que um dia os irmãos travaram uma briga decisiva onde Maria morreu tendo antes cegado o irmão.
Assim, as águas da Amazônia e seus habitantes ficaram livres da maldade de Maria. E Honorato seguiu seu caminho solitário. Sem ter quem combater, Honorato entendeu que seu fado já havia sido cumprido até demais e resolveu pedir para ser transformado em humano novamente. Para isso, precisava que alguém tivesse a coragem de derramar "leite de peito" (leite de alguma parturiente) em sua enorme boca em uma noite de luar. Depois de jogar o leite a pessoa teria que provocar um sangramento na enorme cabeça de Honorato para que a transformação tivesse fim.
Foram muitas as tentativas, mas ninguém conseguia ter tanta coragem. Até que um soldado de Cametá, município do interior do Pará, conseguiu reunir coragem para fazer a simpatia. Foi ele quem deu a Honorato a oportunidade de se ver livre para sempre daquela cruel maldição de viver sozinho como cobra. Em agradecimento, Honorato virou soldado também.
Mas a lenda da cobra grande originou várias outras histórias. Uma delas, do estado de Roraima, tem como cenário o famoso rio Branco. Conta-se que a cunhã poranga (índia mais bela da tribo) apaixonou-se pelo rio Branco e, por isso, Muiraquitã ficou com ciúme. Para se vingar, Muiraquitã transformou a bela índia na imensa cobra que todos passaram a chamar de Boiúna. Como ela era tinha um bom coração, passou a ter a função de proteger as águas de seu amado rio Branco.
Existem ainda algumas crenças que buscam explicar a existência de cobras grandes na região Amazônica. Acredita-se, por exemplo, que quando uma mulher engravida de uma visagem a criança fruto desse terrível cruzamento está predestinada a ser uma cobra grande. Essa crença é bastante comum entre as populações que habitam as margens dos rios Solimões e Negro, no Amazonas. Há ainda quem acredite que a cobra grande pode nascer de um ovo de mutum. Existe ainda outra versão, mais comum no estado do Acre, sobre uma cobra grande que parece ser a versão feminina do boto. Segundo essa lenda, a cobra grande se transforma numa bela morena nas noites de luar do mês de junho para seduzir os homens durante os arraiais de festas juninas.
Há ainda os que contam que a cobra grande pode algumas vezes parecer um navio para assustar os ribeirinhos. Refletindo o luar, suas enormes escamas parecem lâmpadas de um navio todo iluminado. Mas quando o "navio" chega mais perto é possível ver que na verdade é uma cobra grande querendo dar o bote.Em Belém, há uma velha crença de que existe uma cobra grande adormecida embaixo de parte da cidade, sendo que sua cabeça estaria sob o altar-mor da Basílica de Nazaré e o final da cauda debaixo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Outros já dizem que a tal cobra grande está com a cabeça debaixo da Igreja da Sé, a Catedral Metropolitana de Belém, e sua cauda debaixo da Basílica de Nazaré. Os mais antigos dizem que se algum dia a cobra acordar ou mesmo tentar se mexer, a cidade toda poderá desabar. Por isso, em 1970 quando houve um tremor de terra na capital paraense falava-se que era a tal cobra que havia apenas se mexido. Os mais folclóricos iam mais longe: "imagine se ela se acorda e tenta sair de lá!".


O folclorista Walcyr Monteiro conta, após décadas de estudo sobre manifestações folclóricas da Amazônia, que em Barcarena (PA) existe o lugar conhecido como "Buraco da Cobra Grande",
considerado atração turística do local.
http://teatrogan.blogspot.com.br/2011/02/origem-folclorica-da-cobra-grande.html

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A lenda do Uirapuru

Duas índias muito amigas, viviam andando juntas para todos os lados,
desde o amanhecer até ao entardecer. Um dia as duas viram um jovem cacique, muito bonito, e ambas se apaixonaram por ele, sem dizer nada uma à outra. Apenas deram a entender que estavam apaixonadas, mas sem dizer por quem. O tempo foi passando até que um dia revelaram a verdade uma à outra, sendo que ambas ficaram estupefatas com o fato de amarem o mesmo homem. Decidiram que deixariam o cacique decidir, e a preterida se conformaria. A história do amor das duas se espalhou pela aldeia, e os mais velhos resolveram perguntar ao cacique qual das duas ele amava. O cacique, envergonhado, respondeu que gostava das duas. Como não era permitido casar-se com as duas, ficou decidido que haveria um concurso de arco e flecha entre as duas no dia seguinte. No dia seguinte, o cacique avisou que aquela que conseguisse acertar a ave indicada por ele, em pleno vôo, se tornaria sua esposa. Quando uma ave muito branca passou voando alto, o cacique disse: - É essa! As duas atiraram, mas somente uma acertou. A que perdeu parecia conformada, mas aborrecida. O casamento foi realizado. A índia que perdeu foi ficando cada vez mais triste. Procurou um lugar distante e começou a chorar. Chorou tanto, que suas lágrimas se transformaram num riacho. Tupã, ao perceber tanta tristeza, aproximou-se, e a moça contou-lhe tudo. Tupã lembrou-lhe que saber perder é uma vitória, ao que a moça lhe disse que o que mais a afligia era a saudade que sentia da amiga e do cacique, mas que não tinha coragem de vê- los, pois perceberiam sua tristeza. Perguntou a Tupã se não podia transformá-la em pássaro, pois assim poderia observá-los sem que eles soubessem. Compadecido, Tupã fez-lhe a vontade, e no lugar em que a moça estava surgiu um passarinho de aparência tão simples, que não chamava a atenção. O pássaro voou até a oca do cacique, e ficou ainda mais triste ao vê-los tão felizes. Tupã compadeceu-se novamente, chamou o passarinho e lhe disse: - De agora em diante, você será o uirapuru. Seu canto será tão bonito que a fará esquecer a própria tristeza. Quando os outros pássaros a ouvirem, não resistirão, e ficarão em silêncio. E assim é, até hoje: quando o uirapuru canta, os pássaros em volta se emudecem para ouvir seu belíssimo canto...
BASEADO EM “HISTÓRIAS E LENDAS DO BRASIL” – ED. APEL Por Eliana

A lenda da Iara

A Lenda da Iara, a deusa das águas, traduz a relação do caboclo com o mundo aquático da Amazônia, cuja paisagem ganhou do poeta baré Thiago de Mello o nome de “Pátria das Águas”. Essa interação permanente do amazônida com as águas gerou a chamada civilização ribeirinha, na qual os rios, lagos, igarapés e igapós são fontes da vida, da morte e do imaginário regional. São caminhos, referências e habitat naturais dos que vivem ou viveram, durante séculos, às margens do grande rio Amazonas e de seus inumeráveis tributários, herança cultural que recebemos de nossos ancestrais indígenas e portugueses. Mas a relação do caboclo com os rios não é apenas uma conjunção física e conjuntural, vai muito além do campo material, é sensível e presente. Nunca suas histórias são contadas no tempo passado, são presentes como se estivessem acontecendo naquele momento, ali mesmo.


Os colonizadores também foram vencidos pelas águas da região, assimilando a cultura ribeirinha milenar, mas incorporando à descendência cabocla lembranças do além-mar, formadas no novo ambiente cultural. Assim nasceu a Iara, o Boto e tantas outras lendas que hoje compõem a legião dos encantados da cultura amazônica. Os encantados, aliás, estão em todos os lugares, como afirma o poeta e escritor paraense João de Jesus Paes Loureiro – estão entre os índios e caboclos, entre o céu e a terra, nas selvas, nos campos, no fundo das águas...


Segundo Paes Loureiro, “a Iara – Mãe d’Água – vive nas encantarias do fundo dos rios. Ela atrai os moços e os fascina, mostrando-lhes seu rosto belíssimo à flor das águas e deixando submersa a cauda de peixe. Para seduzi-los, faz promessas de todos os gêneros. Para aumentar o estado de encantamento canta belas melodias com voz maviosa. Convida-os a irem com ela para o fundo das águas do rio – onde se localiza a encantaria – sob a promessa de uma eterna bem-aventurança em seu palácio, onde a vida é uma felicidade sem fim. Quem tiver visto seu rosto uma única vez jamais poderá esquecê-lo. Pode até, no primeiro momento, resistir-lhe aos encantos por medo ou precaução. No entanto, mais cedo ou mais tarde acabará por se atirar no rio em sua busca, levado pelo desejo ardoroso de juntar seu corpo ao dela”.


O historiador Vicente Salles conceitua Iara como a mais perfeita convergência cultural na mítica amazônica, reunindo figuras antológicas de vários continentes: Sereia, Ondina, Loreley, Mãe-d’Água, Iemanjá. É uma simbiose encantada de mulher tentadora, sensual, apresentada com rosto europeu e longos cabelos e que recorre à magia do canto para exercer a sua irresistível atração fatal sobre navegantes e moradores da beira-do-rio, preferencialmente jovens.


Os indígenas também possuem inúmeras entidades aquáticas, mas nenhuma delas com as qualidades malignas e fatais de Iara. Sempre encontram remédio para as maldades, sublimando inclusive a morte. Para eles, o rio representa a fonte de sobrevivência e não da morte no “espelho do amor”. Por outro lado, o índio não reprime a sexualidade pelos arreios da sua cultura ou da civilização cristã do branco, razão pela qual não se vale de entes sensuais na sua mitologia. Sempre cita a beleza das cunhãs como referência estética e não como objeto do libido. A sua Mãe-d’Água é a guardiã dos rios, bondosa e se materializa nas plantas e flores aquáticas que alimentam os peixes, segundo lendas da algumas tribos.


Raimundo Moraes credita às leituras da Odisséia de Homero, feitas pelos colonizadores lusitanos, a lenda da Iara, configurada como uma linda mulher, metade gente e metade peixe, belos cabelos compridos, busto cheio e cauda de escamas multicoloridas, que vive nas margens dos rios e igarapés, seduzindo o caboclo para arrastá-lo ao fundo das águas. O pesquisador diz que a entidade também pode materializar-se em forma de lontra, no perfil de garça ou sob as penas da cigana para encantar o ribeirinho.


As observações do historiador repousam em pesquisas feitas na região amazônica e na leitura dos clássicos da literatura universal que apontam convergência entre a mitológica Sereia e a Iara amazônica. Navegador por excelência, o colonizaador português assimilou as lendas do mar e trouxe para cá suas tradições seculares. Os Lusíadas, de Luís de Camões, menciona várias vezes a presença de Sereias na rota dos navegadores lusitanos, lembrança de outros autores clássicos como Virgílio (Eneida), Heródoto (Epítetos) e Homero (Ilíada e Odisséia). Todos referindo-se à figura sedutora e fatal da entidade similar, ora na forma de mulher, ora feita ave ou animal anfíbio.


O Barão de Santana Neri, falando sobre o folclore brasileiro, descreve a Iara como uma mulher branca, de olhos verdes e cabeleira loura, conceitos pesquisados nos Estados do Pará e Amazonas. Diz ainda que sua beleza física, seus métodos de sedução e sua residência submersa revelam origem alienígena. A oferta de tesouros e palácios, por exemplo, também confessa uma cultura importada, vez que os aborígenes desconheciam esses valores. Já o folclorista Câmara Cascudo, cobra possível contribuição do negro na lenda da Iara, lembrando a sereia africana Kianda e até a figura poderosa de Osum, orixá dos lagos, lagoas e rios, da teogonia negra. Iemanjá, deusa das águas, também é lembrada como inspiradora do mito amazônico. Contudo, s Mães-d’Água africanas, com suas liturgias e rituais em nada lembram a nossa deusa das águas, a não ser a morada.


O mito da Iara, aliás, como já foi dito, pode ser reconhecido em várias culturas. Na Espanha chama-se Sirena; na Grécia, a mitológica Nereidas; na Alemanha, a nórdica Loreley; a Kianda africana e a portuguesa Sereia, criaturas das águas que enamoram os homens e os levam à morte. Mas o seu estereótipo físico e malévolo garante a origem portuguesa do mito amazônico, inspirado nas cantos de Homero e nas esculturas de Praxíteles e Escopo. O colonizador, que chegou com a fé cristã e os costumes europeus, também trouxe na bagagem suas lendas, mitos e superstições, muitas delas modificadas ao longo do tempo na convivência cabocla, que lhes emprestou e recebeu valores, coroando a fronte da Iara com flores lilás do mururé, por exemplo.


A suprema sabedoria do amazônida, que soube usar a lenda do Boto para aplacar a ira de maridos traídos e pais enganados, quando suas mulheres ou filhas engravidam fora do domínio doméstico, também justifica na sedução da Iara a fuga ou o desaparecimento de seus entes queridos.



sábado, 15 de agosto de 2009

Negrinho do Pastoreiro





Esta História muitas pessoas dizem que aconteceu, a muito tempo atrás no Estado do Rio Grande do Sul, na época da escravidão , pois o Negrinho do Pastoreio era um escravo,vivia numa fazenda de um rico fazendeiro,na lenda só há relatos de algumas pessoas que moravam na fazenda e participam diretamente da vida do Negrinho Pastoreio,eram além do fazendeiro,o filho do dono da fazenda um garoto muito perverso que se divertia com malvadezas contra o Negrinho do Pastoreio,e um escravo de confiança.


Segundo a lenda , o Negrinho do Pastoreio não era muito querido pelos patrões, não tinha nome , razão pela qual foi sempre foi chamado assim,e não foi batizado sendo assim ele próprio atribui-lhe como Madrinha Nossa Senhora, que segundo afirmam costumava aparecer para ajudá-lo.


Segundo afirmam, o Negrinho do Pastoreio era um escravo de um rico fazendeiro, e o que tinha de riqueza tinha de maldade no coração,este fazendeiro não era de ter amigos, nem fazer amizades, um homem de poucos diálogos, que gostava mesmo é de provocar o mal para outras pessoas.
Devido a sua maldade a ajuda que era comum nas tarefas de lido do Campo não existia, e sobrava mais trabalho era para o Negrinho do Pastoreio,que além de trabalhar muito era pouco e mau alimentado.


Todas as madrugadas o Negrinho galopeava o Cavalo de corrida baio(cor castanho), depois conduzia os avios do chimarrão
Um dia, depois de muita discussão, o fazendeiro apostou uma corrida com um vizinho,que queria que o prêmio fosse para os pobres, más o fazendeiro não queria assim ,ele queria que o prêmio deviria ficar com o dono do cavalo que ganhasse. E resolveram correr uma distância de aproximadamente medida 60 braças ( 132 m), e o prêmio, mil onças de ouro (onças = Peso brasileiro antigo, equivalente à décima sexta parte do arrátel,ou seja, antiga unidade de peso equivalente a 16 onças, ou 459 gramas.)


No dia marcado na cancha(lugar em que se realizam corridas de cavalos)havia bastante gente.Entre os cavalos de corrida o povo não sabia se decidir, tão perfeito cada um dos animais, o cavalo baio(castanho) tinha fama de que quando corria, corria tanto, que o vento assobiava-lhe nas crinas; tanto que só se ouvia o barulho, mas não se lhe viam as patas baterem no chão. E do cavalo mouro
( cavalo escuro mesclado de branco) era que era bastante resistente.
As apostas começara a ser feitas.Os corredores fizeram suas demonstrações à vontade e depois as obrigadas; e quando foi na última, fizeram ambos a sua senha e se convidaram. E preparando o corpo, de rebenque(pequeno chicote) no ar, largaram, os cavalos como de estivessem nomeando seus galopes .


- Empate! Empate! Gritavam os aficionados ao longo da cancha por onde passava a corrida veloz..
- Valha-me a Virgem madrinha, Nossa Senhora ! gemia o Negrinho.
Se o sete-léguas perde, o meu senhor me mata .E baixava o rebenque, cobrindo a marca do baio.


- Se o corta-vento ganhar é só par os pobres ! Retrucava o outro corredor.
E cerrava as esporas no mouro.
Mas os corredores corriam, emparelhados. Quando foi os últimos metros, o mouro vinha correndo muito e o baio não ficava atrás mas sempre juntos, sempre emparelhados.
E perto da chegada o baio diminui o ritmo, de modo que deu ao mouro tempo mais que preciso para passar, ganhando facilmente .E o Negrinho ficou abismado.


- Foi uma corrida ruim! Gritava o fazendeiro.
- Mau jogo! Secundavam os outros de sua parceria.


O povo estava dividido no julgamento da carida,mas o juiz que era um velho do tempo da guerra de Sepé Tiaraju, era um juiz macanudo, que já tinha visto muito mundo.


- Foi na lei! A carreira é de parada morta; perdeu o cavalo baio, ganhou o cavalo mouro. Quem perdeu que pague. E u perdi sem gateadas; quem as ganhou venha buscá-las. Foi na lei !.Não havia o que alegar. Despeitado e furioso, o fazendeiro pagou a parada, à vista de todos, atirando as mil onças de ouro sobre o poncho do seu contrário, estendido no chão.E foi uma alegria por aqueles pagamentos, porque logo o ganhador mandou distribuir aos pobres.


O fazendeiro retirou-se para sua casa e veio pensando, pensando, calado, em todo o caminho. A cara dele vinha lisa, mas o coração vinha corcoveando como touro de banhado laçado a meia espalda... O trompaço das mil onças tinha-lhe arrebentado a alma.


E conforme apeou-se, da mesma vereda mandou amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe uma surra de relho.Na madrugada saiu com ele e quando chegou no alto da coxilha falou assim:


- Trinta quadras tinha a cancha da carreira que perdeste: trinta dias ficarás aqui pastoreando a minha tropelia de trinta tornilhos negros... O baio fica de piquete na soga e tu ficarás de estaca!


O Negrinho começou a chorar, enquanto os cavalos iam pastando.
Veio o sol, veio o vento, veio a chuva, veio a noite. O Negrinho, varado de fome e já sem forças nas mãos, enleou a soga num pulso e deitou-se encostado a um cupim.
Vieram então as corujas e fizeram a roda, voando, paradas no ar, e todas olhavam-no com os olhos reluzentes, amarelos na escuridão. E uma piou e todas piaram, como rindo-se dele, paradas no ar, sem barulho nas asas.
O Negrinho tremia, de medo...porém de repente pensou em sua madrinha Nossa Senhora e sossegou e dormiu.


E dormiu. Era já tarde da noite, iam passando as estrelas; o cruzeiro apareceu, subiu e passou; passaram as Três-Marias; a estrela d’alva subiu... Então vieram os guaraxains ladrões e farejaram o Negrinho e cortaram a guasca da soga. O baio sentindo-se solto rufou a galope, e toda a tropilha com ele, escaramuçando no escuro e desguaritando-se nas canhadas.


O Escravo acordou o Negrinho; os guaraxains fugiram, dando berros de escárnio.
Os galos estavam cantando, mas nem o céu nem as barras do dia se enxergava: era a cerração que tapava tudo.


E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou.
O menino maleva foi lá e veio dizer ao pai que os cavalos não estavam.
O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe, dar-lhe uma surra de relho.


E quando era já noite fechada ordenou-lhe que fosse campear o perdido. Rengueando, chorando e gemendo, o Negrinho pensou em sua madrinha Nossa Senhora e foi ao oratório da casa, tomou o coto de vela aceso em frente da imagem e saiu para o campo.
Por coxilhas e canhadas, nas beira dos lagoões, nos paradeiros e nas restingas, por onde o Negrinho ia passando, a vela benta ia pingando cera no chão: e de cada pingo nascia uma nova luz, e já eram tantas que clareava tudo. O gado ficou deitado, os touros não escarvaram a terra e as manadas xucras não dispararam... Quando os galos estavam cantando, como na véspera, os cavalos relincharam todos juntos. O Negrinho montou no baio e seguiu por diante a tropilha, até a coxilha que o senhor lhe marcara


E assim o Negrinho achou o pastoreio e se riu ...
Gemendo, gemendo, o Negrinho deitou-se encostado ao cupim e no mesmo instante apagaram-se as luzes todas; e sonhando com a Virgem, sua madrinha, o Negrinho dormiu. E não apareceram nem as corujas agoureiras nem os guaraxains ladrões; porém pior do que os bichos maus, ao clarear o dia veio o menino, filho do estancieiro e enxotou os cavalos, que se dispersaram, disparando campo afora, retouçando e desguaritando-se nas canhadas.
O tropel acordou o Negrinho e o menino maleva foi dizer ao seu pai que os cavalos não estavam lá...


E assim o Negrinho perdeu o pastoreio. E chorou...
O estancieiro mandou outra vez amarrar o Negrinho pelos pulsos a um palanque e dar-lhe uma surra de relho... dar-lhe então até ele não mais chorar nem bulir, com as carnes recortadas, o sangue vivo escorrendo do corpo... O Negrinho chamou pela Virgem sua madrinha e Senhora Nossa, deu um suspiro triste, que chorou no ar como uma música, e pareceu que morreu...


E como já era de noite e para não gastar a enxada em fazer uma cova, o fazendeiro mandou atirar o corpo do Negrinho na panela de um formigueiro, que era para as formigas devorarem-lhe a carne e o sangue e os ossos... E assanhou bem as formigas; e quando elas, raivosas, cobriram todo o corpo do Negrinho e começaram a trincá-lo, é que então ele se foi embora, sem olhar para trás.
Nessa noite o estancieiro sonhou que ele era ele mesmo mil vezes e que tinha mil filhos e mil negrinhos, mil cavalos baios e mil vezes mil onças de ouro... e que tudo isto cabia folgado dentro de um formigueiro pequeno.Caiu a serenada silenciosa e molhou os pastos, as asas dos pássaros e casca das frutas.


Passou a noite de Deus e veio a manhã e o sol encoberto.
E três dias houve cerração forte, e três noite o estancieiro teve o mesmo sonho.
A peonada bateu o campo, porém, ninguém achou a tropilha e nem rastro.
Então o senhor foi ao formigueiro, para ver o que restava do corpo do escravo.
Qual não foi o seu grande espanto, quando chegado perto viu na boca do formigueiro o Negrinho de pé, com a pele lisa, perfeita, sacudindo de si e as formigas que o cobriam ainda!...O Negrinho de pé, e ali ao lado, o cavalo baio e ali junto, a tropilha dos trinta tordilhos... e fazendo-lhe frente, de guarda ao mesquinho, o estancieiro viu a madrinha dos que não atêm, viu a Virgem, Nossa Senhora, tão serena, pousada na terra, mas mostrando que estava no céu... Quando tal viu, o senhor caiu de joelhos diante do escravo.
E o Negrinho sarado e risonho, pulando de em pêlo e sem rédeas, no baio, chupou o beiço e tocou a tropilha a galope.
E assim o Negrinho pela última vez achou o pastoreio.
E não chorou, e nem se riu.
Correu no vizindário a nova do fadário e da triste morte do Negrinho, devorado na panela do formigueiro.
Porém logo, de perto e de longe, de todos os rumos do vento, começaram a vir notícias de um caso que parecia um milagre novo...
E era, que os posteiros e os andantes, e os que dormiam sobre as palhas dos ranchos e os que dormiam na cama das macegas, os chasques que cortavam por atalhos e os tropeiros que vinham pela estrada, mascates e carreteiros, todos davam notícia - da mesma hora - de ter visto passar, como levada em pastoreio, uma tropilha de tordilhos, tocada por um Negrinho, gineteando de me pêlo, em um cavalo baio!...


Então, muitos acenderam velas e rezaram um Padre-nosso pela alma do judiado. Daí por diante, quando qualquer cristão perdia uma cousa, o que fosse, pela noite velha o Negrinho campeava e achava, mas só entregava a quem acendesse uma vela, cuja luz ele levava para pagar a do altar da sua madrinha, a Virgem, Nossa Senhora, que o remiu e salvou e deu-lhe uma tropilha, que ele conduz e pastoreia, sem ninguém ver.
Todos os anos, durante três dias, o Negrinho desaparece: está metido em algum formigueiro grande, fazendo visita as formigas, suas amigas; a sua tropilha esparrama-se; e um aqui, outro por lá, os seus cavalos retouçam nas manadas das estâncias. Mas ao nascer do sol do terceiro dia, o baio relincha perto de seu ginete; o Negrinho monta-o e vai fazer sua recolhida; é quando nas estâncias acontece a disparada das cavalhadas e a gente olha, olha, e não vê ninguém, nem na ponta, nem na culatra.
Desde então e ainda hoje, conduzindo o seu pastoreio, o Negrinho, sarado e risonho, cruza os campos, corta os macegais, bandeia as restingas, desponta os banhados, vara os arroios, sobe as coxilhas e desce às canhadas.
O Negrinho anda sempre à procura dos objetos perdidos, podo-os de jeito a serem achados pelos seus donos, quando estes acendem um coto de vela, cuja luz ele leva ao altar da Virgem Senhora Nossa, madrinha dos que não a têm.
Quem perder suas prendas no campo, guarde esperança: junto de algum moirão ou sob os ramos das árvores, acenda uma vela para o Negrinho do pastoreio e vá lhe dizendo - Foi por aí que eu perdi... Foi por aí que eu perdi...Foi por aí que eu perdi !