sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A Mulher e a lendas Amazonica

Desde antes de Cristo que se falava na existência de mulheres guerreiras, que viviam sós, isoladas de homens, com os quais se encontrariam para fins de acasalamento e assim mesmo ficando para criar apenas as crianças do sexo feminino. Eram as amazonas, [ do grego a (não, sem) e mazós (seios)], ou seja, as mulheres sem seios, pois tais mulheres, quando ainda jovens, deviam queimar ou atrofiar o seio direito, a fim de facilitar o manejo do arco. Nascida tal história com a mitologia grega, espalhou-se durante a Idade Média, chegando aos tempos modernos, tendo o tema inspirado muitos escritores e artistas. Tais amazonas reinariam na região da Capadócia,situada na Ásia Menor.
Em 1541, após descer o afluente Napo e chegar ao então Mar Dulce, nome que Pinzon dera ao Rio Amazonas, eis que Francisco de Orelhana é atacado por uma tribo de mulheres que, no testemunho de Frei Gaspar de Carvajal, "são muito alvas e altas, com o cabelo muito comprido, entrançado e enrolado na cabeça. São muitos membrudas e andam nuas em pelo, tapadas as suas vergonhas, com os seus arcos e flechas nas mãos, fazendo tanta guerra como dez índios". Em seu relato, Carvajal narra a seguir que embora abatessem vários índios que eram comandados pelas mulheres e mesmo algumas destas, os espanhóis se viram obrigados a fugir, tendo porém capturado um índio. Este, mais tarde, ao ser interrogado, declarou pertencer a uma tribo cujo
chefe, senhor de toda a área ( o ataque tinha se dado na foz do Rio Nhamundá ), era súdito das mulheres que residiam no interior. Na qualidade de súditos, obedeciam e pagavam tributos às mulheres guerreiras, que eram acompanhadas pelo chefe Conhori. O prisioneiro, respondendo a várias perguntas do comandante, disse que as mulheres não eram casadas e que sabia existir setenta aldeias delas. Descreveu as casas das mulheres como sendo de pedra e com portas, sendo todas as aldeias bastante vigiadas.
Disse ainda que elas pariam mesmo sem ser casadas porque, quando tinham desejo, levavam os homens de tribos vizinhas à força, ficando com eles até emprenharem, quando então os mandavam embora. Quando tinham a criança, se homem, era morto ou então mandavam para que o pai o criasse, se era mulher, com ela ficavam e a menina era educada conforme as suas tradições guerreiras. Descreveu ainda seus hábitos e suas riquezas, pois que tais mulheres possuíam muito ouro e prata.
O encontro e as escaramuças à foz do Rio Nhamundá (hoje limite entre os estados do pará e do Amazonas) com os índios e/ou as índias mais a descrição do prisioneiro foi bastante para que houvesse associação com as Amazonas da Capadócia. E o rio, até então mar Dulce, passa a ser chamado Rio de las Amazonas (Rio das Amazonas) e finalmente Rio Amazonas. A narração feita por frei Gaspar de Carvajal teve imensa repercussão na Europa e correu mundo, atemorizando uns, surpreendendo outros, mas maravilhando a todas os que ouviam falar da terra das mulheres guerreiras...!


Foto fonte http://brincabrincarte.blogspot.com/2008/09/lendas-poticas-lenda-do-amazonas.html

2 comentários:

KINHA disse...

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Doroni Hilgenberg disse...

Boa noite Carlos
Interessante texto.
Eu li algo sobre as indias Guerreiras do Amazonas, mas não se referia ao seio mutilado.
E desse texto eu fiz o poema que vem a complementar seu texto

LENDA DAS AMAZONAS


O Rio é a vida da gente
correndo mansa nas águas
alimentando inclemente
lendas, mitos e mágoas.


Descendo o Rio na incerteza
as expedições prosseguiam
em busca de nossas riquezas
na cobiça persistiam.


Mar Dulce, Orellana, Marañon,
qual seria o nome ideal,
para o grande rio cobiçado
pela Espanha e Portugal?


Mas surge então as guerreiras
com arco e flexa nas mãos,
alvas, nuas, feiticeiras
que matavam sem perdão.


Lutavam como heroínas
defendendo o seu território
amando pois as meninas
tinham desejos simplórios


Depois sumiam na selva
levando no ventre uma cria
deixando aqui entre as trevas
saudade por companhia


E assim, surgindo do nada
como a lenda ou vento frio
as amazonas indomadas
deram nome ao grande Rio.


Doroni Hilgenberg

bjs

Arara Azul